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Hélio Nunes, (Para que serve a pintura?) Para tapar um buraco na mesa onde tomo café com uma imagem temática, 2008
Melissa Rocha, Carreira de Monalisa, 2007
Lais Myrrha, Compensação dos erros, 2007
Lucas Delfino, Desenho de Paisagem (homenagem a barba dos rabinos e dos prisioneiros), 2010
Douglas Pego, Para Ver Vazia, 2009
Alice Costa Souza, Urgências do Presente
Tales Bedeschi, Matriz Perdida Invertida I, 2010
Sávio Reale, s/t
Melissa Rocha, KV1-Keep Walking, 2005
Rachel Falcão, Habita Vida, 2000-2003

Rito de Passagem: O beijo, 2010

Lucas Delfino, Rito de Passagem: O beijo, 2010

Num entardecer de sexta-feira percorrer o corredor da Estação Central do metrô de Belo Horizonte carregando um jarro de água, um recipiente com tinta vermelha e um tapete de arabescos. Lentamente e em intervalos, estender o tapete, tirar os sapatos, debruçar-se sobre uma parede do corredor, limpá-la com um tecido embebido em água, pintar os lábios de vermelho e marcar a parede com um beijo. Essa ação é uma reminiscência do flagrante de judeus beijando o Muro das Lamentações em Jerusalém, assim como o da prostração de muçulmanos em tapetes interrompendo o fluxo de pedestres em uma ruela da Cidade Velha.

Ao fim da ação, uma das paredes do corredor do metrô exibe a marca de beijos vermelhos na azulejaria branca e asséptica de seu comprimento, escancarando a fraude de uma encenação religiosa e servindo desde então para devaneios de romance.

Essa ação foi elaborada para o Disseminação V, no dia 3 de dezembro de 2010.